Minha viagem a Veredas, meu sertão

“Óh Veredas, meu sertão”

Dentro de mil páginas contarei a viagem de minha vida e meus sete irmãos. Será preciso entender que existirão partes desse relato em mil lugares. Um deles ficará aqui.

Meu sertãoVeredas era algo abstrato a minha pessoa. Já meus irmãos, conheciam uma espécie de bicho que era de lá. Mesmo sendo apenas isso o nosso conhecimento pelas terras Veredas, resolvemos vender nossa vaca, nosso rádio e nosso cabrito para pegar um ônibus e ir até Veredas, meu sertão.

O céu estava azul , sem nuvem alguma. Era esse dia a partida. Com malas postas, soubemos que ninguém vai a Veredas e por isso não havia nenhuma condução. A não ser, mulas! Eu e meus sete irmãos, não pensamos uma sequer vez. De mula, partimos a grande terra Veredas.

Capítulo 01 (de 03)

“O sol forte. O sol forte.”

A água foi-se rápida demais. Só sobrara a rapadura. Tínhamos andado pouco mais de sessenta quilómetros e meio, o sol era muito forte. Um de meus irmãos começou a ter imaginações demais e passou a falar de jagunços mortos naquele caminho. O único jeito de contiuarmos nossa viagem sem histórias de espíritos, foi dando-lhe um tabefe e dois pedaços de rapadura.

Foi escurecendo e o jeito foi parar à beira de um riacho. A paisagem nos fascinava muito e a noite só conseguimos falar das estrelas. Um de meus irmãos, sem ser aquele que vira espíritos a tarde, disse que estava vendo o caminho do dia seguinte pela posição das estrelas. Veredas era nosso destino. Sol posto, dia claro novamente e água abastecida nos nossos cantis. Óh Veredas, espere por nós.

Nosso caminho era maravilhoso. Natureza conversando conosco em todos os níveis. Passávamos por montanhas, pastos, rios, cachoeiras, grutas e um pôr-do-sol glorioso fechando nosso árduo dia em cima daquelas mulas.

Capítulo 02 (de 03)

“Chegava a terra Veredas. Ninguém sabia por que ia, mas sabia da romaria.”

Pelos meus irmãos, estávamos pertos e chegaríamos naquele mesmo dia. Era nesse dia que encontramos e falamos com o grande Corisco, deus e diabo na terra do sol. Foi ele que nos deu a passagem para continuarmos nosso caminho à Veredas. Era logo ali.

Eis a chegada a Veredas, meu sertão. Meus irmãos disseram que sabiam que aqui era Veredas pela posição do sol, mas eu nem percebi nada. Depois de passar um pequeno riacho, senti uma coisa estranha. Meus olhos saltaram para fora do meu corpo e o brilho da minha alma aguçado. Estava em Veredas, meu sertão.

Capítulo 03 (de 03)

“O chão rachado de cor e alma. O sol, o sol. Terra e terra.”

Descemos das mulas e pegamos nossas bolsas. As mulas praticamente caíram ao chão pelo excessivo esforço da paisagem árida e montanhosa. Não havia nada, a não ser o sertão.

Isso era apenas o que estava ali, o que sentíamos era algo muito maior e de outra dimensão. Andamos a diante, só que agora, a pé. O sol ainda era muito forte, nenhuma árvore para sombrear.

“Nessas terras viveram poucas pessoas. Eram pessoas simples, mas muito místicas e apenas por dialogar com o sol e a terra”, um de meus irmãos disse. Ninguém comentou nada. Aos poucos nos distanciamos, mas sem perdermos de vista. Andávamos e andávamos na mesma paisagem. Estávamos hipnotizados, certamente.

“Óh Veredas, meu sertão. Por aqui passeiam espécies que lá nem gorjeiam. Terra de amargo suor, que depositou a sabedoria do sertão. Povos que se foram e voltaram. Nada dá, nem sobrevive. Óh Veredas, meu sertão, como seria bom se fosse nosso Mundão.”

Chegava a noite, amanhecia novamente, só andávamos na mesma paisagem e na mesma direção. Por aqui ficamos, fazendo parte dela mesma, Veredas meu sertão.

Apêndice:

A partir desse relato, deixarei outras partes dessa viagem em mil lugares. Veredas é a terra onde ninguém sai e poucos entram. Jogo minhas folhas ao vento, que em Veredas sopra por todo momento.

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3 Respostas to “Minha viagem a Veredas, meu sertão”

  1. Um cancioneiro popular Says:

    Veredas, verdes vendas, mil histórias, muitas lendas!

  2. marco Says:

    “Natureza conversando conosco em todos os níveis”, pois pra quem quer ler, qualquer coisa tem linguagem; pra acabar com esse desespero, só mesmo colhendo de todos os frutos os sentidos, sejam amargos ou doces. “Meus olhos saltaram para fora do meu corpo e o brilho da minha alma aguçado”, pois é preciso reconhecer o mundo, lembrar do lugar donde viemos, e que pode ser qualquer lugar.

  3. marco Says:

    léozitooo
    se liga:

    http://discographynanavasconcelos.blogspot.com/

    recomendo:

    Jan Garbarek – Legend Of The Seven Dreams (1988)
    Gato Barbieri – Fenix (1971)

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