Música de contemplação

Ao ouvir Santana pela primeira vez, no DVD do Woodstock (1969) me deparei com uma coisa incrível. Um som de muita energia, acompanhado de uma batida latina, a sonoridade das percussões “mandando ver”  e muitos improvisos de destaque. Era a música Soul Sacrifice.

Santana Woodstock 1969

Digo isso porque minha imagem do Santana era uma mais atual, tocando com nomes pops, seu chapéuzinho, etc.

Então amigos me apresentaram Santana – Caravanserai, de 1972. O disco que mais tenho ouvido nessas férias….em casa, dentro do carro, indo dormir, lendo, estudando….etc.

Lado um:

  1. “Eternal Caravan of Reincarnation” (Rutley/Schon/Shrieve) – 4:28
  2. “Waves Within” (Rauch/Rolie/Santana) – 3:54
  3. “Look Up (to See What’s Coming Down)” (Rauch/Rolie/Santana) – 3:00
  4. “Just in Time to See the Sun” (Rolie/Santana/Shrieve) – 2:18
  5. “Song of the Wind” (Rolie/Santana/Schon) – 6:04
  6. “All the Love of the Universe” (Santana/Schon) – 7:40

Lado dois:

  1. “Future Primitive” (Areas/Lewis) – 4:12
  2. “Stone Flower” (Jobim/Santana/Shrieve) – 6:15
  3. “La Fuente del Ritmo” (Lewis) – 4:34
  4. “Every Step of the Way” (Shrieve) – 9:05

Santana - Caravanserai (1972)

Download do disco : Santana – Caravanserai

O primeiro lado do disco entra muito bem, na abertura nos damos conta que o disco é conceitual, carregado de efeitos e levando você para a atmosfera de uma caravana no meio do deserto à noite.

O disco marca uma mudança da carreira de Santana, que a partir desse álbum beira o jazz fusion, com músicas mais complexas e contemplativas.

O primeiro lado fecha com uma música muito bonita, que para mim é a melhor do disco. “All the Love of the Universe” é muito intensa, carrega muita complexidade e tem muito destaque o solo de órgão de Gregg Rolie. Em “Song of the Wind” a guitarra de Santana parece gritar nos chamando para entrar de vez no universo do disco.

“Future Primitive” é uma aula de percussão e nos traz toda a sensação do nome da composição. Acho muito bonita a batida do ritmo, muita energia envolvida. Lembra muito as batucadas africanas de ligação com os espíritos. O que não deixa de ser essa música, uma chamada para o transe.

Ressalto a música “Stone Flower”, composição de Antônio Carlos Jobim, mas nesse disco com arranjos de Santana e Shrieve.

“La Fuente del Ritmo” talvez seja a música mais jazz do disco. Muita percussão e solos bem destacados, alto nível.

Então o disco fecha com duas músicas fortíssimas, “La Fuente del Ritmo” e “Every Step of the Way”, o que dá a sensação de quero mais! Destaque para o incrível solo de flauta (“Every Step of the Way”), que entra com muita garra, praticamente gritando as notas, muito bom.  A sensação que fica é que o disco passou de uma maneira tão verdadeira e intensa que a vontade é de mais, mais músicas, mais solos etc. Todos os músicos estão incríveis, é um solo mais bem realizado que o outro, a percussão e o baixo dão a base da alimentação para os demais entrarem em transe.

Eu como baterista não deixaria de falar de Michael Shrieve, grande destaque do disco, um baterista de muito ritmo, sendo a maioria das músicas de forte influência latina, salsa, difíceis de tocar.

Michael Shrieve

fonte: wikipedia

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5 Respostas to “Música de contemplação”

  1. João Ricardo - Bulhões Says:

    Isso me fez lembrar das Batucadas Canabinais, de ontem.

  2. lanild Says:

    oba, legal, to baixando!

  3. marco Says:

    aí sangue bom, recebi o seu e-mail, li a resenha (publicada ontem, dia do meu aniversário). po cara, puta emoção. sério mesmo, fiquei bem comovido em ver a repercussão de um disco de R$1,99. aquele tempo inconfidente foi um baita aprendizado e amadurecimento pra gente (seja pras coisas boas, seja pras ruins).

    a situação difícil, aqui na casa dos meus pais, isolado do mundo. talvez vá pro rio no começo de fevereiro ajudar minha irmã a procurar casa (te dou um toque). quanto a mim, cara, nem sei…. só falta a monografia. tô sem aula, a bolsa pra pesquisa não sai, não sei nem se tenho mais motivos pra continuar no rio … enfim, estou à deriva, sigo o conselho do caymmi: “faça como o velho marinheiro, que durante o nevoeiro, leva o barco devagar.”

    abraço!

  4. Sobral Says:

    Po, Leo, valeu pelo presente! pq esse disco é um presentaço!!
    To escutando ele agora e curtindo muito. Me identifiquei muito com os solos de guitarra. Quero fazer igual! hehehe
    Pensei q talvez pudessemos levar All the Love of the Universe com a banda… é claro q teríamos q fazer uma versão mais magra, sem órgão e tudo o mais. O q acha?

    abs

  5. Luciano Says:

    bacana Léo, ainda não ouvi este álbum, e graças a vc, isso é por pouco tempo… mas não tenho dúvidas quanto ao Santana, ainda mais em 72, ele tem um som muito próprio, peculiaridade que não tem como atribuir a outro artista, e nem restringir-se a ele somente, quando uma de suas qualidades está em agregar outros talentos, que não são poucos… onde a percussão… Ow, que percussão!!! …se funde ao rock de uma maneira que nunca ouvi em nenhuma outra banda… sejam influências latinas, africanas ou o que mais couber… não sei onde entram ao certo, mas elas fazem diferença… e essas referências às raízes sempre estiveram presentes, que se deixam notar tb pelas capas de alguns álbuns, um mosaico cultural, “bagunçado”, que graças aos céus chega aos palcos… e como vc bem comentou, é uma chamada aos espíritos!

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