Aos estudantes de cinema

No começo do ano de 2009, escrevi uma carta destinada aos calouros do curso de cinema da UFF. Mas acho que cabe a todos estudantes de cinema…..porém não tivemos um retorno. Agora, passamos adiante mas a idéia permanece.

Carta aos estudantes de Cinema.

Vivemos tempos de mudança. Um sistema que se dizia bem estruturado mostra suas raízes do mal levando quase o Mundo todo abaixo. Pensando dessa maneira, a arte não pode se dissociar do processo de luta por um outro mundo. Falo de arte no sentido amplo da palavra. Música, cinema, pintura, teatro, dança, poesia etc, todos juntos, cada um com sua particularidade, mas unidos em prol da mudança. Nossas vozes começam a ser ouvidas, somos jovens, podendo usufruir a Universidade, seus tantos diálogos e conhecimentos. Por isso seria interessante pensarmos nas possibilidades de trabalhos realmente conseqüentes, articulados, críticos e problematizadores dentro e fora da Universidade.

Se continuarmos fechados em nossos mundos individuais, todas as experiências que podemos passar serão em vão. A educação se mostra cada vez mais voltada para o mercado, ensinando a nós, estudantes de cinema, esse modelo de visão (fechada em conceitos padrões hollywoodiano tradicional). Ao invés de criar, estamos sendo levados ao simples ato de reproduzir.

“Arte revolucionária deve ser uma mágica capaz de enfeitiçar o homem a tal ponto que ele não mais suporte viver nesta realidade absurda” (passando a transformá-la para melhor) – Glauber Rocha.

Podemos pensar que agora temos a oportunidade de produzir mais livremente, de experimentarmos linguagens, cores, sons, sentidos etc. De estudarmos modelos passados para construirmos algo novo, revolucionário em todos os sentidos, não dividido em hierarquias, mas unidos para a troca de conhecimentos. Se não enxergarmos que a arte pode trazer mudanças, ficaremos presos ao mundo da injustiça social. Temos que olhar, pensar, salvar o sonho e o encantamento pela cultura.

“Sair da rotina da percepção comum, ver durante algumas horas intermináveis o mundo externo e o interno, não com a aparência que eles têm para um animal obcecado com palavras e noções, mas tal como são apreendidos, direta e incondicionalmente, pela Mente Global — é uma experiência de valor inestimável para todos”. – Aldous Huxley, As Portas da Percepção

A crise não é somente financeira, é ecológica, social, é da educação, do modo de viver. Chegamos ao limite da tensão e agora é acreditarmos que podemos unir forças e construir um mundo melhor. Devemos experimentar mais, sair dos conceitos padrões, fazermos arte de maneira visionária, pedagógica e transformadora. A criação artística é vital para a preservação da memória, para afirmar a diversidade e a identidade dos povos, para o enriquecimento do imaginário, para a aproximação solidária entre pessoas e delas com a natureza. Para o equilíbrio e a integridade espiritual do planeta, e para gerar condições que permitam um processo criativo em benefício da comunidade dos seres vivos.

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